Meu Corpo Gordo na Fotografia

Vamos falar de Corpo Gordo? Representatividade? Fotografia?

O que significa participar de um Ensaio fotográfico? Como é a experiência de ser fotografada por um profissional? Como lidar com a vergonha e gordofobia presentes dentro de nós sobre nossos corpos? Como lidar com a opinião que outros possam ter desse trabalho artístico político? Por que ver mulheres gordas maiores fotografadas em lugares de poder e força, como na natureza ou entre outras mulheres gordas é importante pra mim, pra sociedade e outras mulheres gordas como eu? O que significa ser gorda maior e ficar nua no Ensaio e nas fotos? Como a censura nas redes e na vida acontece e onde machuca?

Perguntas como essas, surgem quando eu e a @juqueirozfotografia nos juntamos para fazer ARTE nos Ensaios Fotográficos que estamos realizando desde 2019, começou sem nenhuma pretensão e hoje significa muita coisa pra nós, para nosso trabalho, ativismo, amizades, outras mulheres que se encorajaram e também se deixaram fotografar ……..

Make Off Ensaio Abrindo Caminhos – Malu Jimenez e Jú Queiroz

Ontem fizemos nosso quinto Ensaio de uma ideia que a Jú teve numa live sobre o Projeto Artístico e a Equipe toda do Projeto/Vida “lute como uma gorda”, quando a Giovana Baria, mulher gorda, ativista, jornalista e Assessora de Impreensa do Projeto disse que estávamos abrindo picadas, caminhos porque eramos pioneiras e tudo parecia muito dificil. Foi ai que a Jú teve um estalo e me propôs: bóra fazer um ensaio dentro da mata pensando nisso, podemos pirar nessa questão. Pra variar eu amei a ideia e ontem realizamos a proposta, foi, como sempre, muito mais potente do que nossas conversas preliminares.

Tão forte foi, que resolvi, já estava pensando nisso, mas foi ontem que resolvi trazer para minhas redes e debates a importância da fotografia para minha ressignificação de mulher gorda maior ativista pesquisadora e artista.

Naquele momento mágico, lembramos que estávamos nessa caminhada já algum tempo e que muita coisa tinha rolado, mudado, principalmente nós dentro dos ensaios e na vida cotidiana.

Assim que, trago para vocês minhas experiências, como as coisas aconteceram e algumas fotos pra que vocês construam por vocês mesmas, essa narrativa feita pelo meu corpo como máquina de guerra, muitas mãos e corpas gordas.

Lembrando que esses relatos são escritos em primeira pessoa, dentro do que eu entendo e percebo nessa vivência de mulher gorda maior branca ser fotografada por fotógrafas profissionais e a relação com elas. (só 2 até agora rsrsrs) Espero poder conhecer outras, mas a Jú é minha deusa por tudo que construimos juntas.

Esses relatos, textos são expontâneos, sem revisão ortográfica, sem muita preocupação com isso, a ideia é trazer a emoção aqui, afetos e afectividade para trasnbordar aiii no seu peito, ou melhor na sua barriga! Aqui propomos construções de saberes, linguagens e afetos que afectam, por uma epistemologia GORDE!

Como aconteceu?

Eu conheci a Jú numa feirinha que eu participava com meu companheiro que é cozinheiro e vende suas delicias em feiras daqui da cidade de Chapada, ela estava vindo morar pra cá e vendia slings, eu nem sabia o que era isso, ela que me explicou e me mostrou toda a parada, eu achei fantástico aquilo, mas não era minha realidade. Ela estava mãezona, casadadona,, ou casadinha rsrsrs mas enfim, outras vibes, porém ela começou a fotografar as edições da feirinha, eu pirava nas fotos dela, ela tem um olhar foda para as coisas, e sei lá qual é a magia que essa deusa faz, mas a textura do que compõem a foto faz muito sentido nas fotos dela, eu fiquei babando naquele trabalho.

Coincidentemente o projeto lute como uma gorda estava começando a bombar, alguns convites rolando, eventos e uma parceira na época do projeto me disse que eu precisava fazer um ensaio fotográfico, eu não sei porque pensei não quero me montar, maquiar, todas essas paradas não, não faz parte do jeito que eu sou, como se uma coisa tivesse a ver com a outra, mas tem, essa era a referência que eu tinha de ensaio: mulheres padrão maquiadas, penteadas com roupas da moda. Não que eu não pudesse fazer também, mas eu não me vejo nesse lugar, nunca me vi, sou meio hippie nessa parada toda. Foi quando pensei na Ju, a gente já tinha trocado algumas conversas e ela me disse que precisava divulgar mais o trabalho dela de fotógrafa por essas bandas de cá e então como eu sou abusada mesmo, contei pra ela do projeto “lute como uma gorda” e se ela não queria ser nossa parceira, ela topou na hora e mega feliz em poder fazer parte.

Dali pra cá, só fortalecemos nossa ligação, nosso primeiro ensaio foi uma explosão de afeto e poder, a forma que eu me vi nas imagens que ela tirou, a partir do olhar de uma outra mulher, mas de como eu estava ali compondo aquela imagem, a importância desse ensaio na minha vida é imensurável. Eu me vi totalmente maravilhosa, minha força, minha luta, a mulher que estava me tornando estava ali, era sincera as imagens, eu me localizava e me identificava comigo mesma.

Lembro que não mais olhei nenhuma foto pensando: se estava muito gorda, ou que alguma banha, dobra estavam aparecendo. Isso já não fazia mais sentido, porque cada dobra, banha e marca eram minhas e fodaaassseeeeee, existiam eu não queria mais esconder, aliás esses ensaios me ajudaram a escancarar meu corpo como ele é, POTENTE.

Aos poucos vamos postando cada ensaio, as fotos, o momento, minha experiência dentro deles, mas fora também, o que cada um reverberou e tem reverberado.

Meu trabalho com a Juliana cresceu exponencialmente com muita força, garra e hoje a gente se entende e rola uma conexão nos ensaios, mas principalmente na vida.

Cada ensaio que fazemos, pensamos, criamos é um portal, uma chacoalhada na vida corriqueira que levamos, nas nossas histórias, nos nossos corpos, cada mensagem que recebemos de outras mulheres é uma explosão de afeto revolucionário. Eu saio muito fortalecida dele, reverberando força, me abastece.

Make OFFQuando tudo começou!

Saber que mulheres gordas maiores como eu, que nunca se imaginavam nuas em um ensaio hoje pensam na possibilidade e até mesmo já realizaram essa vivência com um olhar menos julgador e mais acolhedor, entendendo de sua maneira que o nosso corpo que é político, revolucionário e merece ser amado e respeitado nem que seja por nós mesmas.




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